Escritas

CENTRO COMERCIAL I I

Manuel de Freitas Ano: 3979
Uma hipótese de morte com fato de treino
em fim-de-semana cheio de graça. Perdido e
contente como os filhos hão-de ser,
pura imagem de horror
a demorar-se num século vazio.
A autoridade do dinheiro quase nada
esconde já a pobreza vegetal, a
essência decompondo-se. Ele não sabe. Sei eu
por si este pânico, a desmesura triste
de o olhar enjoado, enquanto o silêncio sangra
e quase fede – menos contudo do que as tripas
inúteis deste domingo absurdamente igual
a todos os outros que nos falta viver,
arrastar com fúnebres cuidados

para num arremesso de baba feliz
ganhar o futuro, a morte precisa 
que nessa palavra dizemos.
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