Vita Nuova
Manuel Bandeira
•
Ano: 1384
De onde me veio esse tremor de ninho
A alvorecer na morta madrugada?
Era todo o meu ser... Não era nada,
Senão na pele a sombra de um carinho.
Ah, bem velho carinho! Um desalinho
De dedos tontos no painel da escada...
Batia a minha cor multiplicada,
— Era o sangue de Deus mudado em vinho!
Bandeiras tatalavam no alto mastro
Do meu desejo. No fervor da espera
Clareou a distância o súbito alabastro.
E na memória, em nova primavera,
Revivesceu, candente como um astro,
A flor do sonho, o sonho da quimera.
A alvorecer na morta madrugada?
Era todo o meu ser... Não era nada,
Senão na pele a sombra de um carinho.
Ah, bem velho carinho! Um desalinho
De dedos tontos no painel da escada...
Batia a minha cor multiplicada,
— Era o sangue de Deus mudado em vinho!
Bandeiras tatalavam no alto mastro
Do meu desejo. No fervor da espera
Clareou a distância o súbito alabastro.
E na memória, em nova primavera,
Revivesceu, candente como um astro,
A flor do sonho, o sonho da quimera.
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