Escritas

Brisa

Manuel Bandeira Ano: 1382
Vamos viver no Nordeste, Anarina.
Deixarei aqui meus amigos, meus livros, minhas riquezas, minha vergonha.
Deixarás aqui tua filha, tua avó, teu marido, teu amante.
Aqui faz muito calor.
No Nordeste faz calor também.
Mas lá tem brisa:
Vamos viver de brisa, Anarina.
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Comentários (4)

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Paulo Gondim
Paulo Gondim
2025-08-16

Talvez o poema guarde uma saudade velada do Recife. Belo poema!

Henrique Cesar Guedes da Silva
Henrique Cesar Guedes da Silva
2025-03-14

À amada Anarina, para viver integralmente uma paixão, o poeta propõe abandonar todas as amarras: "Deixarei aqui meus amigos, meus livros, minhas riquezas, minha vergonha. Deixarás aqui tua filha, tua avó, teu marido, teu amante." E viver uma vida simples sem medos, sonhos ou expectativas. Mas uma vida carnal, não utópica: "Aqui faz muito calor. No Nordeste faz calor também." "Mas lá tem brisa"... uma promessa sensual que promete prazer e eterno alívio das preocupações. Não sei se no contexto de 1948, "viver de brisa", também significa que mesmo que as preocupações reapareçam ... dinheiro, fome, os laços abandonados reaparecerem ... "viver de brisa" seja um grande "dane-se". A paixão e o salto vão sempre acreditar que "viver de brisa" vai garantir mais felicidade e prazer do que se preocupar com o que pode amarrar os amantes. O poeta repete o nome de sua amada, Anarina, no primeiro e no último verso. Escolha sonora? Bandeira tinha uma religiosidade intensa que o acompanhou sua vida inteira. Anarina é um diminutivo com "sotaque" nordestino de Ana, "Hanna", do hebraico. Hanna, na Bíblia orou a Deus fervorosamente por um filho e recebeu a "graça" de se tornar mãe do profeta Samuel. Samuel guia o povo num momento de perda de fé na direção de uma renovação espiritual. Com Samuel se encerra o período dos juízes, e ele unge os primeiros reis bíblicos, Saul e Davi. Davi é atribuído como o compositor dos primeiros salmos. Posso ter viajado. Somente se pudessémos ter acesso a algum registro do processo de criação do poeta para que essa suposição fizesse sentido. Mas "Anarina" é a "graça" do retorno à terra natal do poeta, o Nordeste. Anarina, é a possibilidade de que a poesia seja mais livre e sem regras, "vivendo de brisa", do que obedecendo as regras e expectativas de ser um acadêmico, se tornou imortal em 1940, depois de ser um poeta da primeira geração modernista. Anarina é a busca pela paixão de sua primeira fonte poética. Esta não é uma análise para se usar no ENEM. Com certeza é pra tirar zero. Melhor seguir o poeta e "viver de brisa".

Pablo Rafael de Lima
Pablo Rafael de Lima
2024-06-12

É um poema bom eu acho kkkk

Pablo Rafael de Lima
Pablo Rafael de Lima
2024-06-12

Brisa