Escritas

Em 1943, ventre abaixo

Marina Colasanti Ano: 20437
As leis da inércia perdem
o sentido
quando se está no mato
boca abaixo e
acima da cabeça
as bombas caem com madurez
de fruto.
A razão sabe que
bomba não é fuso
que o vento
o impulso
o peso
estão inclusos no cálculo preciso.
O alvo
- a mente diz -
é mais adiante.
Mas o sangue nas têmporas desmente
o corpo
cansado de ser caça
entende diferente.
A morte
- a carne diz -
está a caminho
que de mim se alimenta
e me quer quente.
873 Visualizações

Comentários (1)

Iniciar sessão ToPostComment
Ademir D.Zanotelli *Poeta*
Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-28

Um poema sério sobre um estado de guerra. o ventre abaixo é o sangue que verte das faces dos feridos. perffeito.