Quem saberá?
Marina Colasanti
•
Ano: 20437
Aqui
luz de montanha fria como um espelho
e como espelho límpida e
cortante
blocos de luz que varam as
vidraças da casa sem cortinas e
sem panos
arestas claras navalhando sombras.
Há um remador num quarto
inseto de madeira gigantesco
libélula sem asas
pousada
sobre o brilho do chão
rígida água.
Além dos vidros
o vale azul é poço
inalcançável
e o olhar despenca nas escarpas
nuas.
Aqui
onde não sou filha
onde não sou parte
menina de tranças
como tantas meninas de tranças
quem saberá quem sou
se o ônibus
que acabou de levar a minha mãe
não regressar?
luz de montanha fria como um espelho
e como espelho límpida e
cortante
blocos de luz que varam as
vidraças da casa sem cortinas e
sem panos
arestas claras navalhando sombras.
Há um remador num quarto
inseto de madeira gigantesco
libélula sem asas
pousada
sobre o brilho do chão
rígida água.
Além dos vidros
o vale azul é poço
inalcançável
e o olhar despenca nas escarpas
nuas.
Aqui
onde não sou filha
onde não sou parte
menina de tranças
como tantas meninas de tranças
quem saberá quem sou
se o ônibus
que acabou de levar a minha mãe
não regressar?
Português
English
Español