No túmulo de inox
Marina Colasanti
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Ano: 20437
Morto
resseco
o inseto
jaz sobre o fogão e
me recebe quando tiro a panela.
Ainda há pouco
eu lhe admirava a beleza na janela
exata esmeralda
lançando ao ar o acento
das antenas.
No túmulo de inox
encontro um inseto calcinado
invólucro de inseto
para sempre imóvel
com o rigor das patas.
Chamado pela chama
saltou do vidro onde pousava
vivo verde contra o verde jardim.
A panela cozinhava lenta a sopa
para a cerimônia da ceia;
debaixo do barro
cumpria-se em silêncio
o ritual
de sedução e morte.
resseco
o inseto
jaz sobre o fogão e
me recebe quando tiro a panela.
Ainda há pouco
eu lhe admirava a beleza na janela
exata esmeralda
lançando ao ar o acento
das antenas.
No túmulo de inox
encontro um inseto calcinado
invólucro de inseto
para sempre imóvel
com o rigor das patas.
Chamado pela chama
saltou do vidro onde pousava
vivo verde contra o verde jardim.
A panela cozinhava lenta a sopa
para a cerimônia da ceia;
debaixo do barro
cumpria-se em silêncio
o ritual
de sedução e morte.
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