E estremecem na aragem

Marina Colasanti
Marina Colasanti
1 min min de leitura 2005 Fino Sangue
Agora, nos subúrbios,
mais pra lá dos subúrbios,
na terra de ninguém que liga
um nome de cidade a outro
nome de cidade,
as pequenas casas de laje
- nem bem casas mas que
casas são e
são chamadas
porque únicas casas possíveis
para os que nelas moram -
exibem estranha coroa de
antenas coloridas.
São vergalhões que afloram
no cimento para que um dia
talvez
se venda a laje
ou se levante outro andar
quase luxo
para filhos e netos.
Em algum lugar
um animal pasta atado a uma corda
o calor se arrasta entre lama e mato.
Ao alto, garrafas pet invertidas
protegem os sonhos.
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