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Há momentos
em que me vejo
em mim:
é quando descinjo
as brumas do pensamento
e encontro-me
em ti.

Há momentos
em que te vejo
em mim:
é quando os entroses
(nossas arcadas)
moem o beijo
de outras bocas,
que é só nosso.

Há momentos
em que somos,
um para o outro,
simplesmente estranhos,
no vazio do universo.

Há momentos
em que somos,
unidos,
o cinzel de nossas almas,
a chaminé das idéias,
ou o cinturão,
desusado,
da ternura.

Há momentos
em que não me vejo
em mim
e nem em ti.
(Extrínsecas almas
flutuantes no nada
sem sermos nada.)

Há momentos
em que me vejo
em mim
e em ti:
é quando os sapatos
desamarrados,
jogados na areia,
esperam nossos pés
que se perderam,
em busca de nós mesmos

Messejana, 23.12.70

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