Escritas

Gargonza

Affonso Romano de Sant'Anna Ano: 20428
Há castelos
– grandes obras humanas.
E que força têm as pedras
sedimentando as coisas
mudamente.
Mas a poesia pode estar nas frestas
como esses dois lagartos
que me espreitam soberanos
nesta manhã de sol
neste castelo de Gargonza, na Toscana.
Escrevo um texto para o jornal, perecível.
Os dois lagartos olham-me. Imóveis.
Imobilizado, já não escrevo.
Bate o sino na alta torre.
Estancou-se a prosa.
Poesia é o que nos espreita
pela fresta dos dias.
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