Noite - XCII

Pablo Neruda
Pablo Neruda
1 min min de leitura 1959 Cem Sonetos de Amor
Amor meu, se morro e tu não morres,
amor meu, se morres e não morro,
não demos à dor mais território:
não há extensão como a que vivemos.


Pó no trigo, areia nas areias,
o tempo, a água errante, o vento vago
nos transportou como grão-navegante.
Podemos não nos encontrar no tempo.


Esta campina em que nos achamos,
oh pequeno infinito! devolvemos.
Mas este amor, amor, não terminou,


e assim como não teve nascimento
morte não tem, é como um longo rio,
só muda de terras e de lábios.
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