A Chama Negra
Pablo Neruda
•
Ano: 1650
Está a rosa de hoje no anúncio
de ontem sobre o ramo.
É só claridade, luz construída,
borbotão de beleza,
pequeno raio vermelho
levantado na terra.
Os pinheiros no vento
derramam seu som e suas agulhas,
o sal do mar recolhe
o peso azul, opressor do céu.
De paz é este dia
largo e aberto e claro
como o novo edifício de uma escola.
De paz está feito o vento
que atravessa a altura dos pinheiros.
De paz, meu amor, é esta
luz de tua cabeleira
que cai sobre minhas mãos
quando reclinas a cabeça e fechas,
por um só minuto,
as portas da terra,
do mar e dos pinheiros.
Não é pétala, não é rosa,
não é labareda negra:
é sangue, agora,
neste dia mais além do vento.
de ontem sobre o ramo.
É só claridade, luz construída,
borbotão de beleza,
pequeno raio vermelho
levantado na terra.
Os pinheiros no vento
derramam seu som e suas agulhas,
o sal do mar recolhe
o peso azul, opressor do céu.
De paz é este dia
largo e aberto e claro
como o novo edifício de uma escola.
De paz está feito o vento
que atravessa a altura dos pinheiros.
De paz, meu amor, é esta
luz de tua cabeleira
que cai sobre minhas mãos
quando reclinas a cabeça e fechas,
por um só minuto,
as portas da terra,
do mar e dos pinheiros.
Não é pétala, não é rosa,
não é labareda negra:
é sangue, agora,
neste dia mais além do vento.
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