Meio-Dia - XXXIX

Pablo Neruda
Pablo Neruda
1 min min de leitura 1959 Cem Sonetos de Amor
Mas esqueci que tuas mãos satisfaziam
as raízes, regando rosas emaranhadas,
até que floresceram tuas digitais pisadas
na plenária paz da natureza.


O enxadão e a água como animais teus
te acompanham, mordendo e lambendo a terra,
e é assim como, trabalhando, desprendes
fecundidade, fogoso viço de cravos.


Amor e honra de abelhas peço para tuas mãos
que na terra confundem sua estirpe transparente,
e até em meu coração abrem sua agricultura,


de tal modo que sou como pedra queimada
que de súbito, contigo, canta, porque recebe
a água dos bosques por tua voz conduzida.
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