O Embaixador
Pablo Neruda
•
Ano: 20416
Vivi em um beco
onde chegavam para mijar
todo gato e todo cão
de Santiago do Chile.
Era em 1925.
Eu me encerrava com a poesia
transportado ao Jardim de Albert Samain,
ao suntuoso Henri de Regnier,
ao leque azul de Mallarmé.
Nada melhor contra a urina
de milhares de cães suburbanos
que um cristal refinado
com pureza essencial, com luz e céu,
a janela da França, parques frios
por onde as estátuas impecáveis
— era em 1925 —
trocavam-se camisas de mármore,
com pátinas, suavíssimas ao tato
de numerosos elegantes séculos.
Naquele beco eu fui feliz.
Mais tarde, anos depois,
cheguei como Embaixador aos Jardins.
Já os poetas tinham ido embora.
E as estátuas não me conheciam.
onde chegavam para mijar
todo gato e todo cão
de Santiago do Chile.
Era em 1925.
Eu me encerrava com a poesia
transportado ao Jardim de Albert Samain,
ao suntuoso Henri de Regnier,
ao leque azul de Mallarmé.
Nada melhor contra a urina
de milhares de cães suburbanos
que um cristal refinado
com pureza essencial, com luz e céu,
a janela da França, parques frios
por onde as estátuas impecáveis
— era em 1925 —
trocavam-se camisas de mármore,
com pátinas, suavíssimas ao tato
de numerosos elegantes séculos.
Naquele beco eu fui feliz.
Mais tarde, anos depois,
cheguei como Embaixador aos Jardins.
Já os poetas tinham ido embora.
E as estátuas não me conheciam.
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