Escritas

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Pablo Neruda Ano: 1646
Perdemos também este crepúsculo.
Ninguém nos viu esta tarde de mãos dadas
enquanto a noite azul caía sobre o mundo.

Tenho visto da minha janela
a festa do poente entre as serras distantes.

Às vezes como uma moeda
acendia um pedaço de sol em minhas mãos.

Eu te recordava com a alma apertada
dessa tristeza que me conheces.

Então, onde estavas?
Entre que gentes?
Dizendo que palavras?
Por que me chega todo o amor num golpe
quando me sinto triste, e te sinto longe?

Caiu o livro que sempre se toma ao crepúsculo,
e como um cão ferido rodou aos meus pés a capa.

Sempre, sempre te afastas às tardes
até onde o crepúsculo corre apagando estátuas.
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