O Lírio Distante

Pablo Neruda
Pablo Neruda
1 min min de leitura 1954 As Uvas e o vento
Coréia, tua morada
era um jardim ativo
de novas flores que se construíam.
Era tua paz de seda
um manto verde,
um lírio que elevava
seu rápido relâmpago amarelo.
 
Da Ásia recolhias
a luz desenterrada.
Ias tecendo
com fios anteriores
a nova trama do vestido novo.
Teu traje de boneca ensanguentada
ia-se mudando em calça de usina
e os fios de seda
recolhiam o caudal das cascatas,
carregavam as palavras no vento.
 
Querias com tuas mãos
cortar tua própria estrela e elevá-la
na edificação do firmamento.
 
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