Manhã - XV

Ano: 1647
De há muito tempo a terra te conhece:
és compacta como o pão ou a madeira,
és corpo, cacho de segura substância,
tens peso de acácia, de legume dourado.


Sei que existes não só porque teus olhos voam
e dão luz às coisas como janela aberta,
mas porque de barro te fizeram e cozeram
no Chile, num forno de adobe estupefato.


Os seres se derramam como ar ou água ou frio e vagos são, se apagam ao contato do tempo,
como se antes de mortos fossem fragmentados.


Tu cairás comigo como pedra na tumba
e assim por nosso amor que não foi consumido
continuará vivendo conosco a terra.
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