Tarde - LV

Pablo Neruda
Pablo Neruda
1 min min de leitura 1959 Cem Sonetos de Amor
Espinhos, vidros rotos, enfermidades, pranto
assediam dia e noite o mel dos felizes
e não serve a torre, nem a viagem nem os muros:
a desventura atravessa a paz dos adormecidos,


a dor sobe e desce e acerca suas colheres
e não há homem sem este movimento,
não há natalício, não há teto nem cercado:
há que tomar em conta este atributo.


E no amor não valem tampouco olhos fechados,
profundos leitos longe do pestilente ferido,
ou do que passo a passo conquista sua bandeira.


Porque a vida pega como cólera ou rio
e abre um túnel sangrento por onde nos vigiam
os olhos de uma imensa família de dores.
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