Noite - LXXXVII

Pablo Neruda
Pablo Neruda
1 min min de leitura 1959 Cem Sonetos de Amor
As três aves do mar, três raios, três tesouras,
cruzaram pelo céu frio para Antofagasta,
por isso ficou o ar tremuloso,
tudo tremeu como bandeira ferida.


Solidão, dá-me o sinal de tua incessante origem,
o apenas caminho dos pássaros cruéis,
e a palpitação que sem dúvida precede
o mel, a música, o mar, o nascimento.


(Solidão sustentada por um constante rosto
como uma grave flor sem cessar estendida
até abarcar a pura multidão do céu.)


Voavam asas frias do mar, do Arquipélago,
para a areia do Noroeste do Chile.
E a noite fechou seu celeste ferrolho.
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