II. O processo
Pablo Neruda
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Ano: 1653
Vive a névoa como um grande octópode inchado de gás amarelo
e cai seu gelatinoso ramal emaranhando a insigne cabeça.
É Londres, a Casa Redonda e a Justiça é a boca do polvo.
A besta desliza por ruas de sombra seus braços, seus
passos, seus pés resvalosos,
buscando Tomás, o Marinheiro, buscando seu pescoço nu:
porque a Justiça agoniza em sua Casa Redonda e exige alimento,
alimentos do mar, cavalheiros da água e do fogo.
A Justiça dourada te busca e tem fome de carne marinha.
Tomás, marinheiro, levanta tua espada de guerra!
Descarrega teu braço salgado e divide os braços do polvo de ouro!
Rechaça as cruéis ventosas que buscam detrás da névoa!
Esconde, Tomás, teu semblante delgado de falcão oceânico!
Defende a proa intranquila de tua embarcação orgulhosa!
Protege os olhos da águia que espera minha pátria em seu berço
e deixa perdido na névoa o octópode de boca amarela!
e cai seu gelatinoso ramal emaranhando a insigne cabeça.
É Londres, a Casa Redonda e a Justiça é a boca do polvo.
A besta desliza por ruas de sombra seus braços, seus
passos, seus pés resvalosos,
buscando Tomás, o Marinheiro, buscando seu pescoço nu:
porque a Justiça agoniza em sua Casa Redonda e exige alimento,
alimentos do mar, cavalheiros da água e do fogo.
A Justiça dourada te busca e tem fome de carne marinha.
Tomás, marinheiro, levanta tua espada de guerra!
Descarrega teu braço salgado e divide os braços do polvo de ouro!
Rechaça as cruéis ventosas que buscam detrás da névoa!
Esconde, Tomás, teu semblante delgado de falcão oceânico!
Defende a proa intranquila de tua embarcação orgulhosa!
Protege os olhos da águia que espera minha pátria em seu berço
e deixa perdido na névoa o octópode de boca amarela!
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