Diurno

Pablo Neruda
Pablo Neruda
1 min min de leitura 1967 A barcarola
O sol organiza talvez na noite seu ramo amarelo
e pela janela tropeça com a teoria de quanto se imprime
e desalentado tal como se entrasse na sala de um triste hospital de Chicago
regressa ao incêndio do tigre na selva e baila na púrpura das papoulas,
porém, sol errante não só teus olhos escapam da lombada da enciclopédia,
mas de minhas pobres artérias sombrias que como raízes exploram a sombra
pedindo que as condecore algum dia a luz quebrantada das cordilheiras.

Amor, amor meu, a plebe de puros papéis prensados galopa,
circunda, em si mesma, sussurra e sepulta.
Ai quanto caminho eriçado de flores fogosas e desfiladeiros
nos chama entretanto incitante como uma romã furiosa
que fugiu debulhando rubis na poeirada do alto verão.
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