Escritas

Tarde - LXII

Pablo Neruda Ano: 1647
Ai de mim, ai de nós, bem-amada,
só quisemos apenas amor, amar-nos,
e entre tantas dores se dispôs
somente a nós dois ser malferidos.


Quisemos o tu e o eu para nós,
o tu do beijo, o eu do pão secreto,
e assim era tudo, eternamente simples,
até que o ódio entrou pela janela.


Odeiam os que não amaram nosso amor,
nem outro nenhum amor, desventurados
como as cadeiras de um salão perdido,


até que em cinza se enredaram
e o rosto ameaçante que tiveram
se apagou no crepúsculo apagado.
1 123 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão ToPostComment