Manhã - XIX

Pablo Neruda
Pablo Neruda
1 min min de leitura 1959 Cem Sonetos de Amor
Enquanto a magna espuma de Ilha Negra,
o sal azul, o sol nas ondas te molham,
eu contemplo os trabalhos da vespa
empenhada no mel de seu universo.


Vai e vem equilibrando seu reto e ruivo voo
como se deslizasse de um arame invisível
a elegância do baile, a sede de sua cintura,
e os assassinatos do ferrão maligno.


De petróleo e laranja é seu arco-íris,
busca como um avião entre a erva
com um rumor de espiga, voa, desaparece,


enquanto tu sais do mar, nua,
e regressas ao mundo cheia de sal e sol,
reverberante estátua e espada da areia.
1 152 Visualizações
Partilhar

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.