Fuzil E Pederneira

José Saramago
José Saramago
1 min min de leitura 1966 Os poemas possíveis
Na mineral frieza deste sílex,
Pederneira chamado porque duro,
A labareda oculta se recata
À espera do fuzil que a percuta.

Da lisa superfície onde estalam
Os golpes repetidos do meu aço,
Centelhas como gritos se libertam
E morrem sufocadas neste escuro.

Arde lá fora uma fogueira, à espera,
Enquanto eu bato o coração da pedra.
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