Cantiga de Sapo

Ano: 3643
Já mastiguei solidão
E tinha gosto de cobre
Ficou-me o travo na língua
Mais amargo que o azebre

Já cantei com voz de sapo
As rosas do céu mais perto
Coseram-me a fio a boca
Espetaram-me em vara torta

Voei com penas de cinza
Por sobre as águas abertas
Sonho de asa mal firmada
Numa aparência de vento

Voltei ao sapo que era
À minha boca calada
À triaga à mordedura
À vara que me espetava

Debaixo de mim a terra
Por cima de mim o céu
A noite que vai passando
O silêncio a solidão
A manhã que vem tão longe
As rosas que vão murchando
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