É Um Livro de Boa-Fé
José Saramago
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Ano: 3644
É um livro de boa-fé, disse Montaigne.
Ninguém sabe o que esta frase quer dizer, declara o professor, enxugando os olhos, e chama um contínuo para que lhe traga um copo doutra água.
Entretanto o aluno mais novo saiu pela janela e teve todas as revelações do Buda.
Mas quando chegou debaixo do salgueiro estava uma mulher deitada e nua, que repousava a cabeça num livro de páginas brancas.
Estava também o infinito, era azul depois de um caminho vermelho, e branco depois de uma cortina dourada.
Então o professor disse que faltava um aluno e que não valia a pena continuar a aula.
Desde aí o salgueiro ficou sendo um lugar de peregrinação.
Mas só eleitos capazes de sair voando de uma aula poderiam ver os dois corpos deitados, e até hoje ninguém os viu, embora lá estejam movendo-se infinitamente.
Por isso a história começa sem começar e acaba sem acabar.
Como qualquer coisa que se parecesse muito com o infinito.
Ninguém sabe o que esta frase quer dizer, declara o professor, enxugando os olhos, e chama um contínuo para que lhe traga um copo doutra água.
Entretanto o aluno mais novo saiu pela janela e teve todas as revelações do Buda.
Mas quando chegou debaixo do salgueiro estava uma mulher deitada e nua, que repousava a cabeça num livro de páginas brancas.
Estava também o infinito, era azul depois de um caminho vermelho, e branco depois de uma cortina dourada.
Então o professor disse que faltava um aluno e que não valia a pena continuar a aula.
Desde aí o salgueiro ficou sendo um lugar de peregrinação.
Mas só eleitos capazes de sair voando de uma aula poderiam ver os dois corpos deitados, e até hoje ninguém os viu, embora lá estejam movendo-se infinitamente.
Por isso a história começa sem começar e acaba sem acabar.
Como qualquer coisa que se parecesse muito com o infinito.
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