Escritas

da janela da frente

Martha Medeiros Ano: 20178
da janela da frente
vejo uma delicatessen
uma praça e o salão de beleza
onde faço permanente


da janela dos fundos
vejo o pátio da vizinha
com seu varal cheio de trapos
e um sofá vagabundo


da janela da frente
vejo crianças na calçada
saindo da escola com a empregada
de uniforme reluzente


da janela dos fundos
vejo crianças ranhentas
comendo com as mãos
e deixando o chão imundo


da janela da frente
vejo carros estacionados
e uma loja de importados
que todo bairro é cliente


da janela dos fundos
vejo a área de serviço alheia
escuto gritos histéricos
e há um cheiro de urina profundo


da janela da frente
vejo um prédio de vidro fumê
sacadas organizadas
e bares de adolescentes


da janela dos fundos
vejo o crime organizado
dezenas de delinquentes
cheirando e queimando fumo


da janela da frente
eu vejo o mundo


da janela dos fundos
eu vejo a gente
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