Escritas

Viagem

Sophia de Mello Breyner Andresen Ano: 1811
Naquele tempo era o Kaos
E as palavras do poema não irrompiam já como palmeiras

Por isso abandonou a cidade — o país natal
País perdendo dia a dia o seu rosto:
A pintura a cair das paredes — cães
Farejando o lixo —
Brutais os gestos — obscenas as palavras
De cada coisa a beleza destroçada

Por isso se evadiu e para Oriente
Navegou e de noite e lentamente

E um novo dia se abriu em sua frente

E era um país de tigres e palmeiras
Como em longínquo cismar adolescente
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