A Koré

Sophia de Mello Breyner Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen
1 min min de leitura 1989 Ilhas
Alta e solene mais alta do que a luz
A pesada palidez sagrada do Pártenon
Reina sobre o dia

Folhagens dançam movidas pelo vento

Na mesa ao lado a Koré de nariz direito e cabelo entrançado
Serve de intérprete e erguendo a sua taça
Brinda com os comerciantes tedescos que saquearam
A Grécia e a Europa quase toda
Mas que após a derrota de seus generais
Ganharam a guerra

O café tem pó — relíquia dos turcos

Porém no vinho resinado no frescor da vinha
Na fina suave brisa nas pálidas colunas
Algo dos deuses súbito visita
A luz do instante
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