Escritas

Grito Negro

José Craveirinha
Eu sou carvão!
E tu arrancas-me brutalmente do chão
e fazes-me tua mina, patrão.
Eu sou carvão!
E tu acendes-me, patrão,
para te servir eternamente como força motriz
mas eternamente não, patrão.
Eu sou carvão
e tenho que arder sim;
queimar tudo com a força da minha combustão.
Eu sou carvão;
tenho que arder na exploração
arder até às cinzas da maldição
arder vivo como alcatrão, meu irmão,
até não ser mais a tua mina, patrão.
Eu sou carvão.
Tenho que arder
Queimar tudo com o fogo da minha combustão.
Sim!
Eu sou o teu carvão, patrão.

26 768 Visualizações

Comentários (24)

Iniciar sessão ToPostComment
Te
Te
2025-08-05

Gostei muito da poema.

Ttt
Ttt
2025-07-22

É bom para bens

Ttt
Ttt
2025-07-22

É bom para bens

Alberto Paulo Alberto
Alberto Paulo Alberto
2025-06-13

Gostei muito desse poema que viralizou todo mundo nas perspectiva de abrir olhos dos africanos nas escravização

Alberto Paulo Alberto
Alberto Paulo Alberto
2025-06-13

Gostei muito desse poema que viralizou todo mundo nas perspectiva de abrir olhos dos africanos nas escravização