Encarnação

Adélia Prado
Adélia Prado
1 min min de leitura 2013 Miserere
Sem quebrantar-me,
forte doçura até os ossos me toma.
Não há estridência em mim.
Fibrila o que mais próximo
posso chamar silêncio,
ainda assim palavra,
uma interjeição,
o murmúrio adivinhado
de um rio subterrâneo
no útero da mãe quando ela estava feliz
e o meu sangue era o dela
e sua respiração
a minha própria vida.
Quando o espírito vem
é no corpo
que sua língua de fogo quer repouso.
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Comentários (1)

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Esta sim é sagrada.... em plena gestação. uma grande perfeição no útero de sua mãe. parabens.