Um, Dois, Três
Ano: 20107
Escrever é difícil: pena dura,
mão sem molejo. Então, o Benedito
quer que apenas se tome a assinatura
ao votante. Não é de xurupito?
Assinar? É demais! — protesta o Armando.
O voto, para ser bom e secreto,
repele um artifício tão nefando.
Só quem pode votar é o analfabeto.
Minha gente, com calma — diz o Arruda
(Esmeraldino), olhem de frente os fatos:
Eleições, mas pra quê? A pátria é muda.
Vale mais prorrogar nossos mandatos…
Muito bem! Muito bem! ulula o coro.
E, fugida a razão, foge o decoro.
08/09/1957
mão sem molejo. Então, o Benedito
quer que apenas se tome a assinatura
ao votante. Não é de xurupito?
Assinar? É demais! — protesta o Armando.
O voto, para ser bom e secreto,
repele um artifício tão nefando.
Só quem pode votar é o analfabeto.
Minha gente, com calma — diz o Arruda
(Esmeraldino), olhem de frente os fatos:
Eleições, mas pra quê? A pátria é muda.
Vale mais prorrogar nossos mandatos…
Muito bem! Muito bem! ulula o coro.
E, fugida a razão, foge o decoro.
08/09/1957
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