Escritas

Congresso Internacional do Medo

Carlos Drummond de Andrade Ano: 20103
Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da  morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
1 959 Visualizações

Comentários (2)

Iniciar sessão ToPostComment
Dani
Dani
2025-01-26

Tomara que ela adube a sua cabeça para que possa germinar alguma inteligência...

Ricardo
Ricardo
2024-04-16

Achei uma Bosta