Registro Civil
quando eu passei. As margaridas eram
os corações de seus namorados,
que depois se transformavam em ostras
e ela engolia em grupos de dez.
Os telefones gritavam Dulce,
Rosa, Leonora, Cármen, Beatriz.
Porém Dulce havia morrido
e as demais banhavam-se em Ostende
sob um sol neutro.
As cidades perdiam os nomes
que o funcionário com um pássaro no ombro
ia guardando no livro de versos.
Na última delas, Sodoma,
restava uma luz acesa
que o anjo soprou.
E na terra
eu só ouvia o rumor
brando, de ostras que deslizavam
pela garganta implacável.
Comentários (1)
Nos templos de ouro e vaidade, O evangelho se curva ao poder, A palavra que era verdade, Agora é meio de enriquecer. André, Valadão, no palco brilhante, Vende camarotes num culto de fãs, Transformou a adoração em restaurante, Onde a fé tem preço e se vende em divãs. Os pastores que guiavam o rebanho, Hoje negociam sua fé sem pudor, Prometem milagres, riquezas e ganhos, Num teatro que finge falar de amor. As sedes que dizem falar por Deus, Usam a Bíblia como arma do mal, Pregam favores aos grandes dos tronos, E fazem da fé trampolim eleitoral. O evangelho de hoje se veste de gala, Com prêmios, holofotes e falsa emoção, Mas Cristo andava descalço na estrada, E não cobrava ingresso para a salvação. A fé virou produto de luxo, Vendida em eventos de adoração, Mas Deus não está nos bilhetes de ingresso, Nem na conta bancária da instituição. Que os falsos altares desmoronem um dia, Que o templo volte a ser casa de amor, Pois Deus não precisa de fama ou de prêmio, Ele habita onde há compaixão e fervor.
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