Escritas

Elegia a Um Tucano Morto

Carlos Drummond de Andrade Ano: 20100
Ao Pedro
O sacrifício da asa corta o voo
no verdor da floresta. Citadino
serás e mutilado,
caricatura de tucano
para a curiosidade de crianças
e indiferenças de adultos.
Sofrerás a agressão de aves vulgares
e morto quedarás
no chão de formigas e de trapos.

Eu te celebro em vão
como à festa colorida mas truncada,
projeto da natureza interrompido
ao azar de peripécias e viagens
do Amazonas ao asfalto
da feira de animais.
Eu te registro, simplesmente,
no caderno de frustrações deste mundo
pois para isto vieste:
para a inutilidade de nascer.
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Comentários (26)

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MARIA CLARA
MARIA CLARA
2025-08-04

EMOCIONANTE, BONITO E CONFUSO!! S2

MARIA CLARA
MARIA CLARA
2025-08-04

OBRIGADAAA!. ASSIM QUE EU O VI SIMPLISMENTE ME APAIXONEI MAS AINDA ERA ESCURO EM MINHA VISTA, VOCÊ ME DEU LUZ.

Rafael Rodrigues
Rafael Rodrigues
2025-03-04

Apenas não seja um tucano!

Amadeu
Amadeu
2025-02-17

Claro que não entendeu, vc tem um cérebro de galinha kkkkkk

Nazario dos Santos
Nazario dos Santos
2025-02-02

É impossível não se emocionar com esse poema.