Escritas

Punição

Carlos Drummond de Andrade Ano: 336
“74, fique de coluna.”
Lá vou eu, de castigo, contemplar
por meia hora o ermo da parede.

Meia hora de pé, ante o reboco,
na insensibilidade das colunas
de ferro (inaciano?) me resgata.

Eis que eu mesmo converto-me em coluna,
e já não é castigo, é fuga e sonho.
Não me atinge a sentença punitiva.

Se pensam condenar-me, estão ilusos.
A liberdade invade minha estátua
e no recreio ganho o azul distância.
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