Escritas

A Música Barata

Carlos Drummond de Andrade Ano: 324
Paloma, Violetera, Feuilles Mortes,
Saudades do Matão e de mais quem?
A música barata me visita
e me conduz
para um pobre nirvana à minha imagem.

Valsas e canções engavetadas
num armário que vibra de guardá-las,
no velho armário, cedro, pinho ou…?
(O marceneiro ao fazê-lo bem sabia
quanto essa madeira sofreria.)

Não quero Handel para meu amigo
nem ouço a matinada dos arcanjos.
Basta-me
o que veio da rua, sem mensagem,
e, como nos perdemos,
se perdeu.

(lc)
1 347 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão ToPostComment