Escritas

Eclipse E Germinações

António Ramos Rosa Ano: 5781
Sempre no início o eclipse e os seus insectos.
A areia cintila entre secretos cílios.
O rosto interrompido, as obscuras sílabas.
As armas esbarram nas paredes áridas.

Quem designará o solo negro, os seus arbustos de ferro?
Quem escreverá o tempo e as suas muralhas vazias?
Que são estas palavras senão as cinzas do sol?
Há no entanto um rumor de germinações furtivas.

O que escrevo é uma árvore com os seus pulsos cinzentos.
O vento profere o sabor dos frutos do opaco.
Salubre é o sexo rasgado ao rés da terra.
O vento abre até ao fundo o ventre errante.
977 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão ToPostComment