A Cidade Que Habito

António Ramos Rosa
António Ramos Rosa
1 min min de leitura 1987 No calcanhar do vento
Quem vê entre os ramos a delicada
aranha do sol? Um sopro abre as avenidas.
Quem escreve a cidade com o seu hálito?
Vapores cinza e rosa
levantam em leque a barca da terra.
Um ouvido subtil ouve o silêncio oblíquo.

Uma cidade de pedra e de água, de rumores
verticais, de ténues transparências,
que sede a surpreende inicial,
quem abraça no voo de um nascimento?

É aqui ainda a terra, nas colinas,
no odor a peixe, nos obscuros insectos.
Algo se espera talvez entre os plátanos.
Há estrelas e barcos nas calçadas.
Todas as superfícies oscilam à claridade do vento.
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