A Espera do Vento
António Ramos Rosa
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Ano: 5776
Espero. Espero o vento. Coloco-me na área aberta entre a areia e o sal. O meu desejo é pólen, delírio da pedra, labirinto de folhas. É talvez a energia da cinza que me move. Escrevo com três vogais de água pura e quatro palavras de sol branco. Um sinal desenhado na argila, uma minúscula aranha, uma pequena chama no solo, o tremor do ar, tudo indica que as palavras, entre o sono e o sol, se consumarão com a verde energia do desejo liberto.
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