O Corpo do Vento

António Ramos Rosa
António Ramos Rosa
1 min min de leitura 1986 Clareiras
Obstinado, volve o vento a areia. Sulcos ou palavras de metal alegre e trémulo, despertas e ao acaso, embriagadas de vento, voltijantes, fugidias. De que boca ou lâmpada saiu este vento que revolve a areia como um corpo? Obstinado, leve, invade, confunde, acaricia, sonha. Abre suavemente lábios, inscreve delicadamente umbigos, modela seios, desenha púbis evanescentes. É um corpo, um corpo de vento que voltija, incandescente, na geometria branca do ar. Que são as palavras agora se não forem as pétalas deste corpo vertiginoso? Elas correm, elas querem nascer entre os cabelos e o mar, como lâmpadas verdes, como latidos nupciais.
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