Escritas

Sobre o Seu Sono Ardente

António Ramos Rosa Ano: 5778
Sobre o seu sono ardente, sobre o seu corpo
sonoro, esta dança da escrita, esta obscura
mão. Entre um vaso de sangue e um vaso de cinza
o poema ergue uma arcada branca. Como a fuga de um pássaro
a palavra levanta-se dos ombros, o mundo recomeça.

Tão fluida é a felicidade das sílabas, tão lúcidas
as câmaras onde se anuncia o sangue. Tão claro é o ritmo
por um nome silencioso que circula em minhas veias.
Já não sonho, conheço o gérmen e a sua dança imóvel,
durmo nas virilhas de uma ilha incandescente.

Recebo as ondas da inteligência mais suave,
a água do seu corpo é mais leve que a das árvores.
O mundo dança em torno da sua cintura verde.
Uma sede se desenha nos vocábulos vibrantes.
O olhar vê com a boca o ouro azul.
962 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão ToPostComment