Dança
António Ramos Rosa
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Ano: 5778
Dançam ligeiras nas varandas leves,
a nudez é para elas o veludo da pele
onde passa o sono e a sombra circular.
A nostalgia acende-se. Dilata-se a alegria.
As palavras respiram, obedecem aos anéis.
Boca aberta para a vogal inicial
que tudo pronuncia e nunca é pronunciada.
Deusa mais nua do que a noite, dúctil e concêntrica
deusa que modelas a perfeita forma e a desfazes
em miríades de formas incessantes. Génese
oval em que a carícia lavra em branco igual
até ao horizonte. Então o nada fulge
num côncavo habitável de aquática verdura.
Apagam-se, acendem-se os vasos da visão.
Ilumina-se o sono longínquo da matéria.
a nudez é para elas o veludo da pele
onde passa o sono e a sombra circular.
A nostalgia acende-se. Dilata-se a alegria.
As palavras respiram, obedecem aos anéis.
Boca aberta para a vogal inicial
que tudo pronuncia e nunca é pronunciada.
Deusa mais nua do que a noite, dúctil e concêntrica
deusa que modelas a perfeita forma e a desfazes
em miríades de formas incessantes. Génese
oval em que a carícia lavra em branco igual
até ao horizonte. Então o nada fulge
num côncavo habitável de aquática verdura.
Apagam-se, acendem-se os vasos da visão.
Ilumina-se o sono longínquo da matéria.
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