Escrevo Para o Teu Corpo

Ano: 5778
Escrevo para os teus olhos errantes, para o teu corpo
nupcial. Sou um incerto insecto num vaivém
de sílabas nuas, espessas. Reconheço-te no vinho
e na pedra. Amo o teu grito de árvore,
amo o móvel repouso das tuas veias escritas.

No tumulto do solo vejo os anéis de musgo,
as bocas circulares, as artérias brancas,
as estridências verdes, voluptuosas estâncias,
obscuridades côncavas, sedosas
pausas. Tudo se desenha na claridade

verde. É o barco da terra,
o campo da espessura incandescente,
o fundo completo da ausência respirada,
a sombra que incendeia, a redonda
e nocturna transparência.
914 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.