Escritas

Mediadora Límpida

António Ramos Rosa Ano: 5775
Delicada insondável
a mediadora límpida
desliza sem rumor
no repouso do seu espaço

Serenidade vivaz
íntima na distância
habitação de altura
esplendor do branco

Tão nada como imagem
profunda em transparência
Demora nos instantes
unidos do silêncio

Ouvem-se cantos de água
inundação de ser
Abolição de um reino
palácio de palavras

Libertos os contrários
toda a bruma se evola
Nitidez de perfis
Rio luminoso e lúcido

Secreta calma intensa
como um lento prodígio
intocável suprema
do mundo espaço vivo

Não se prolongam ecos
nem ressoam pisadas
em sua esfera estática
sem fuga nem exílio

Sua nudez e assombro
paixão silenciosa
concavidade presente
onde se descobre o ar

Pura firmeza de estar
à superfície ondula
em misteriosa leveza
habitação segredada.
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