Escritas

Mediadora Vazia

António Ramos Rosa Ano: 5775
Já deslembrada, perdida
na agonia da sede.
Obscura e sem lugar
morta vivendo em luz cega.

Sempre a areia do deserto
e calcinadas as frases
sem lucidez nem repouso,
imagens despedaçadas.

Qual o último país?
Qual o silêncio do mar?
Do seu nulo amor errante
resta o seu halo inquieto.

Era um secreto jardim
de obscura transparência,
era um corpo, era um recinto
de silenciosa alegria.

Ausência, menos que água,
estrangeira e solitária,
busca a esfera azul e limpa,
a nitidez de um lugar.

Amante escura, longínqua,
que pátria no seu desterro,
que presságio de sossego,
que dom impossível tem?

Sua viagem é um exílio
no vazio transparente
onde cristal não cintila
nem um liso mundo gira.

Só no ardor se ultrapassa
e vibra já sem fronteiras,
a derradeira, a primeira,
num sopro que inscreve a vida.
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