Escritas

O Corpo Talhado

António Ramos Rosa Ano: 5773
duro é o silêncio, e são os ossos. duro
é também o veneno dos dias transparentes
ANTÓNIO FRANCO ALEXANDRE

Um sopro nas escadas leves
uma frase inútil
e frágil
a tessitura expõe-se na nudez
a boca do compacto e os seus ouvidos
lentos duro
é o silêncio e são os ossos

onde talharam o corpo e o dobraram
com suas lâmpadas de ferro
escondeu-se o luto da manhã abriu-se a vala
azul do espaço
duro é o destino dos ossos duro é o sol

esta é a pequena noite de uma face
um minúsculo corpo abre a sua ferida sideral
unas são as sombras das pernas traves
silenciosas
o corpo recebe o grande barco do sepulcro
da água

o vento levantou as pálpebras das palavras
um íman novo atraiu imponderáveis
vocábulos animais
de veludo e pedra sobre as dunas
o ar é a sílaba mais viva ouve-se
o desespero de um pássaro soterrado

Já ninguém diz qual a face do vento
obscuro nem qual o ângulo
da água Máscaras do mar
viúvas de sangue
abrem o ventre estéril o simulacro
arroja a sua coroa rubra
Os pés nus pisam o cérebro dos vocábulos
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