Escritas

Matéria Incerta

António Ramos Rosa Ano: 5770
Em contacto com Matéria ardente
sem visíveis margens     Nenhum lugar
ou objecto Cegueira
quase
*
No papel a opacidade é branca
*
Respiro esta matéria
agora fria     agora mais ardente
*
Mas o lugar é impensável
nada que possa suscitar uma perspectiva
nem um plano imediatamente presente
*
Mas há o odor do mar     Um cheiro a força
e a mão como se estende     dilata-se no papel
*
Intensidades breves sem um arco
Vida sem visão autónoma     Vazio sem teia
*
É um trabalho incerto reunir estes sinais
*
Estas palavras serão talvez o indício ou o início
das figuras mais frescas da manhã
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