Escritas

Talvez Nada Nos Reste

António Ramos Rosa Ano: 5769
Talvez nada nos reste
senão este trabalho
que divide e rasga a própria ferida

Tudo o que o poema faz desfaz

Mas sustenta a ferida
nas margens mais distantes
da distância
na insensata esperança
no abismo

Tu beijas aqui a dança e o desastre

Já ninguém te vê
palavra nula imediata
Nenhum sinal da aliança viva
um único sinal
dilacerante
acorde

Amanhã de novo buscarei
o lugar sem nome
e o nome inominável
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