Portão do Jardim Deserto
António Ramos Rosa
•
Ano: 5759
«Portão do Jardim Deserto, 1935»
(KLEE)
É talvez Inverno.
Talvez. Mas
as labaredas amarelas
das ervas a cada lado do portão?
Umas incendeiam o muro,
as outras mais rasas
contrastam com o roxo
de um solo de sombra e humidade.
Mas já o verde do portão
ou só talvez o espaço entre os umbrais
clama o abandono frio de um esplendor:
uma porta ou o vazio.
Talvez um espelho que nada reflecte
em obscura transparência
— mas de quê?
Uma pequena chama fulva apenas arde
nas ervas ressequidas
e algumas linhas se adivinham.
Para além do muro
a densidade da distância
em superfície, todavia, é aliança.
Mas no jardim, no chão de cinza azul
as hastes dançam
uma estação de estrela.
(KLEE)
É talvez Inverno.
Talvez. Mas
as labaredas amarelas
das ervas a cada lado do portão?
Umas incendeiam o muro,
as outras mais rasas
contrastam com o roxo
de um solo de sombra e humidade.
Mas já o verde do portão
ou só talvez o espaço entre os umbrais
clama o abandono frio de um esplendor:
uma porta ou o vazio.
Talvez um espelho que nada reflecte
em obscura transparência
— mas de quê?
Uma pequena chama fulva apenas arde
nas ervas ressequidas
e algumas linhas se adivinham.
Para além do muro
a densidade da distância
em superfície, todavia, é aliança.
Mas no jardim, no chão de cinza azul
as hastes dançam
uma estação de estrela.
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