Escritas

Uma Caligrafia Calma

António Ramos Rosa Ano: 5759
Quem dispõe de uma cor
ou linha
e forma o espaço no tempo
e o espaço acaricia

a fluida razão de uma caligrafia

o dia (hipótese)
inerte.     Sem nenhum sopro
ou voo de escrita.

A loucura fácil dos vocábulos.
Um fogo?
Outra razão de ser.

Razão-surpresa.
Um novo alento
nas palavras-mãos.

Uma linha, um bloco, uma cor — o espaço.

Separadas sílabas.
Pétalas.
O tempo necessário de atingir as margens.

Quem habita o bloco transparente?
Compacto?
A noite varre.
A noite varrerá.

Quem dispõe de uma cor feliz
modula
a carícia de ser.

Um bloco na noite.
Um bloco de acaso.

Uma caligrafia calma, isenta,
liberta um bloco do espaço.
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